Legislação de Airbnb no Rio: O Que Diz a Prefeitura e os Condomínios

Resposta rápida Hoje, a restrição mais concreta para quem opera Airbnb no Rio não vem da Prefeitura — vem do condomínio. O Superior Tribunal de Justiça decidiu que, quando a convenção do prédio é omissa sobre locação por temporada, a assembleia pode barrar a atividade com aprovação de 2/3 dos condôminos. Na Câmara Municipal, tramita um projeto de lei (PL 2265/2026) que cria cadastro obrigatório para anfitriões e obrigações para as plataformas, mas até o momento não propõe proibir a atividade nem criar imposto novo. Nada disso é definitivo — o cenário muda rápido, e vale sempre confirmar a situação mais recente antes de operar.

Diferente dos outros artigos deste cluster, este aqui não é sobre estratégia — é sobre regras. E regras sobre Airbnb no Rio estão em movimento acelerado em 2026, com frentes acontecendo ao mesmo tempo na Câmara Municipal, no Judiciário e dentro dos próprios condomínios. Vamos separar o que já vale do que ainda está em discussão.

Linha do tempo da regulamentação de Airbnb no Rio de Janeiro em 2026 Maio/2026 PL 2265/2026 protocolado na Câmara Maio/2026 STJ decide sobre poder do condomínio de restringir Junho/2026 Ações suspensas no país até tese vinculante do STJ Hoje PL ainda em tramitação, tese do STJ pendente
Linha do tempo da regulamentação de Airbnb no Rio de Janeiro em 2026. Fonte: acompanhamento da tramitação do PL 2265/2026 e de decisões do STJ.

Três frentes se movendo ao mesmo tempo

O momento regulatório do Rio para locação por temporada tem três eixos independentes, cada um em estágio diferente:

O projeto de lei na Câmara: PL 2265/2026

O texto em tramitação, protocolado em maio de 2026 como reformulação de um projeto anterior, propõe criar um Cadastro Municipal Simplificado de Hospedagem Temporária. Nas versões divulgadas até o momento, o projeto prevê:

Um ponto importante: o projeto, pelo menos nas versões divulgadas até agora, não cria taxa nova nem imposto específico sobre a atividade — a discussão tributária mais ampla ficou para o processo da Reforma Tributária nacional. O texto ainda não é lei e pode mudar nas comissões antes de ir a votação.

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Regulamentação Airbnb Rio de Janeiro: Panorama das Frentes

FrenteSituação
ISS municipalEm vigor; pessoa física em locação por temporada, em regra, não recolhe
IPTUAlíquota residencial bem inferior à não residencial — regime de temporada preserva o uso residencial
Cadastur (federal)Obrigatório para pessoa jurídica de hospedagem; facultativo para pessoa física
CondomínioRegra do STJ de 2/3 para autorizar quando a convenção é omissa; julgamento de tese vinculante ainda pendente
Cadastro municipal (PL 2265/2026)Em tramitação na Câmara, ainda não é lei

A regra que já pesa mais hoje: o condomínio

Enquanto o projeto de lei municipal ainda tramita, quem realmente decide se você pode operar Airbnb no seu prédio, na prática, costuma ser a assembleia de condôminos — não a Prefeitura. O STJ firmou entendimento de que, quando a convenção do condomínio não trata do tema, a locação por temporada pode ser barrada com aprovação de 2/3 das unidades em assembleia.

Esse tema ainda não está totalmente pacificado: há um julgamento de tese vinculante em andamento no STJ especificamente para definir se a simples cláusula de destinação residencial, por si só, já basta para proibir a locação de curta duração — e, enquanto isso não é decidido, as ações individuais e coletivas sobre o assunto estão suspensas no país. Na prática, isso significa que quem já opera hoje segue operando sem uma decisão final contra si, mas também sem garantia de que a regra atual vai se manter exatamente como está.

Um ponto de proteção que vale guardar: decisões da Justiça no Rio já reconheceram que um condomínio que proíbe a atividade em assembleia não pode aplicar multa retroativa a reservas contratadas antes da proibição — o que reforça a importância de guardar comprovantes de reserva com data.

💡 Resumo do especialista
A pergunta que mais recebo sobre esse tema não é "é proibido no Rio?" — é "meu prédio específico permite?". E a resposta está quase sempre na convenção de condomínio e nas atas de assembleia, não em uma lei municipal genérica. Antes de comprar pensando em Airbnb, ou antes de começar a operar em um imóvel que já tem, pedir a convenção e as últimas atas ao síndico é o passo mais importante — mais até do que acompanhar a tramitação do projeto de lei.

ISS e IPTU: o que já vale hoje

Para pessoa física operando locação por temporada de até 90 dias, sem prestação de serviços de hotelaria (como café da manhã ou arrumação diária), a atividade é tratada como locação — e locação, em regra, não é alcançada pelo ISS. Isso muda se a operação passa a ser feita via pessoa jurídica com atividade de hospedagem, caso em que o ISS municipal passa a incidir.

Sobre o IPTU, a diferença entre a alíquota residencial e a não residencial no Rio é significativa — manter o enquadramento como locação por temporada residencial, dentro das regras da locação por temporada, é o que evita a reclassificação do imóvel para uso comercial e a cobrança na alíquota mais alta.

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Checklist antes de operar (ou continuar operando)

  1. Peça ao síndico a convenção do condomínio e as atas das últimas assembleias — procure por "temporada", "hospedagem" ou "curta duração"
  2. Se a convenção for omissa e a atividade for importante para você, avalie levar o tema a uma assembleia com pauta específica
  3. Regularize seu regime fiscal — pessoa física com recolhimento mensal apropriado, ou pessoa jurídica com enquadramento correto, conforme orientação do seu contador
  4. Guarde comprovantes de cada reserva com data, como proteção caso o condomínio venha a restringir a atividade no futuro
  5. Acompanhe a tramitação do projeto de lei municipal — o texto pode mudar até a votação final
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Em uma conversa de aproximadamente 20 minutos podemos analisar:

  • A convenção de condomínio do empreendimento de seu interesse
  • Se o prédio já tem vocação declarada para locação por temporada
  • Encaminhamento para advogado ou contador especializado, se necessário
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Perguntas frequentes

O Rio de Janeiro vai proibir o Airbnb?
Não é isso que está em discussão hoje. O projeto de lei em tramitação cria um cadastro municipal e obrigações para anfitriões e plataformas, mas não propõe proibição geral da atividade.

Meu condomínio pode proibir Airbnb mesmo sem uma regra específica na convenção?
Segundo entendimento recente do STJ, quando a convenção é omissa sobre o tema, a operação de locação por temporada pode ser barrada por decisão de assembleia com 2/3 dos condôminos.

Preciso pagar ISS se alugo meu studio por temporada como pessoa física?
Em regra, não. Locação por temporada de até 90 dias é tratada como locação, não como prestação de serviço de hospedagem, e por isso normalmente não é alcançada pelo ISS.

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Sobre o Rio Living Studios

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